O PRESBITERIANISMO NO BRASIL

A Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos desenvolveu uma forte preocupação missionária. Assim, acabou
enviando missionários para vários países do mundo, dentre os quais o Brasil. Em 12 de agosto de 1859
desembarcou no Rio de Janeiro o Rev. Ashbel Green Simonton, com somente 26 anos de idade, e sem saber falar
português. Simonton organizou a primeira igreja presbiteriana no Rio de Janeiro, fundou o primeiro jornal
evangélico do país, chamado "A Imprensa Evangélica" (sucedido mais tarde pelo "O ESTANDARTE"), organizou a
primeira igreja presbiteriana de São Paulo através da atuação de seu cunhado, Rev. Alexander Latimer Blackford,
organizou o primeiro presbitério brasileiro e com apenas 34 anos de idade veio a falecer, sendo sepultado na cidade
de São Paulo.
Aos poucos foi surgindo um grupo de pastores nacionais que, ao lados dos missionários, atendia a todo o rebanho,
muitas vezes espalhado pela zona rural. Isso fez com que muitas igrejas dependessem de uma liderança leiga
muito ativa, pois a visita dos pastores era esporádica. Por outro lado, seguindo influências norte-americanas, onde
as igrejas mantinham colégios e escolas, o Presbiterianismo no Brasil fundou escolas para melhor influenciar o
país e as novas gerações. A mais famosa delas é o Colégio e Universidade Mackenzie na cidade de São Paulo,  a
maior universidade privada do Brasil.                                                                                                                
Estava plantada a semente do Presbiterianismo no Brasil, que germinou e veio a dar muitos frutos. A implantação
do Presbiterianismo foi um trabalho heróico, pois o país era de dimensões continentais e as dificuldades de
transporte e comunicação eram imensas. Aos poucos o Presbiterianismo foi se desenvolvendo no Brasil e hoje é
representando por 5 principais denominações:
  • A Igreja Presbiteriana do Brasil,
  • A Igreja Presbiteriana Independente do Brasil,
  • A Igreja Presbiteriana Conservadora,
  • A Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil,
  • A Igreja Presbiteriana Unida, e a Igreja Cristã Presbiteriana.
                A ORIGEM DO PRESBITERIANISMO

A igreja cristã do primeiro século era constituída basicamente de judeus que tinham conhecido a Jesus e ouvido Seus
ensinos. A Igreja começou a crescer gradualmente e se espalhou do Oriente Médio para outras partes do mundo, sob
controvérsias e sofrimentos entre seus partidários. O crescimento e a expansão da Igreja custou o sangue e a vida de muitos
mártires.
Durante o 4º século, depois de mais de 300 anos de perseguição pelos vários imperadores romanos, a igreja foi se
estabelecendo não só como poder espiritual mas também como um poder político sob o comando de Constantino,  primeiro
imperador a se converter ao Cristianismo. Discordâncias teológicas e políticas, porém, serviram para alargar a fenda entre
os ramos oriental (que falava o Grego) e ocidental (que falava o Latim) da igreja. Eventualmente as porções ocidentais de
Europa, veio debaixo da autoridade religiosa e política da Igreja católica romana. A Europa oriental e partes de Ásia vieram
debaixo da autoridade da Igreja Ortodoxa Oriental.

               A REFORMA PROTESTANTE

Na Europa ocidental, a autoridade da Igreja Católica Romana permaneceu largamente indiscutida até o Renascimento no 15º
século. A invenção da imprensa por Gutenberg na Alemanha ao redor de 1440 permitiu que as pessoas comuns tivessem
acesso a materiais impressos, inclusive a Bíblia. Isto tornou possível a descoberta dos pensadores religiosos que tinham
começado a questionar a autoridade da Igreja Católica Romana. Dentre eles, Martinho Lutero, padre alemão e professor, que
começou o movimento conhecido como a Reforma Protestante, ao afixar uma lista de 95 queixas contra a Igreja Católica
Romana em uma porta de igreja em Wittenburg, Alemanha, em 1517. Uns 20 anos depois, um teólogo franco-suíco, João
Calvino, tornou mais refinada a nova maneira de pensar dos reformadores sobre a natureza de Deus e a relação de Deus
com a humanidade, que veio a ser conhecida como Teologia Reformada. John Knox, um escocês que estudou com Calvino
em Genebra, Suíça, levou de volta os ensinos de Calvino para a Escócia. Outras comunidades Reformadas se desenvolveram
na Inglaterra, Holanda e França. O nascimento da igreja presbiteriana está instrinsicamente relacionado com os movimentos
religiosos surgidos nessa época na Escócia e Inglaterra.
A Reforma Protestante do século XVI promoveu uma profunda revolução espiritual na vida da Igreja. Seus efeitos se
manifestam ainda em nossos dias. Quatro foram os pontos fundamentais desenvolvidos pelos reformadores e sobre os quais
se assentam toda a revolução provocada pela Reforma:
•        Solus Christus (Só Cristo);
•        Sola Fide (Só a Fé);
•        Sola Gratia (Só a Graça);
•        Sola Scriptura (Só as Escrituras).

                          O SÉCULO XVI

O mundo era muito diferente no século XVI. No final do século XV, em 1492, Cristóvão Colombo chegou à América, numa
viagem a caminho das Índias. Os europeus chamaram esses acontecimentos de "descobrimentos". Tais "descobrimentos"
indicam que estavam ocorrendo grandes navegações. Essas viagens tinham finalidades econômicas. Seus objetivos eram
comerciais. As riquezas produzidas pelas navegações acabaram beneficiando os comerciantes e fortalecendo o poder dos
reis. Foi um século de grandes transformações na Europa antes da Reforma, a Europa toda só tinha uma religião. Todos os
países europeus eram católicos. O catolicismo baseava-se na Bíblia e na Tradição. Isto quer dizer que as decisões papais
valiam tanto quanto as Sagradas Escrituras. E o catolicismo ensinava que, para a salvação, era necessária a fé e também a
prática de boas obras estabelecidas pela Igreja. Entre essas obras estavam: o recebimento dos sacramentos dados pelas
Igrejas; as penitências estabelecidas pelos sacerdotes após as confissões, etc. Tudo isso queria dizer que, de acordo com o
ensino da Igreja, a salvação dependia da ligação do fiel com ela.
Essa situação religiosa vinha de muito tempo atrás. Durante séculos tinha se solidificado essa situação. Acontece, porém,
que com todas as mudanças que se sucederam no século XVI, a Igreja também foi atingida. A Reforma Protestante foi
exatamente a grande revolução religiosa que teve lugar no século XVI. Foi um movimento amplo. Teve reflexo praticamente
em todos os países do continente europeu. Foram vários os líderes reformadores: Ulrico Zuínglio, Martinho Lutero, João
Calvino, etc. Nós, os presbiterianos no Brasil, herdamos nossas crenças e doutrinas do reformador João Calvino.

            A VIDA DE JOÃO CALVINO

Após a morte de Zuínglio em 1531, o movimento reformado passou a ter um novo líder, que revelou-se muito mais
articulado e influente que o anterior: João Calvino (1509-1564). Calvino nasceu em Noyon, no nordeste da França, e ainda
adolescente foi estudar teologia e humanidades em Paris. Depois de um breve período em Orléans e Bourges, quando
dedicou-se ao estudo do direito, retornou a Paris para dar continuidade aos estudos humanísticos que tanto o fascinavam.
Em 1532, publicou o seu primeiro livro, um comentário do tratado de Sêneca De Clementia.
O humanismo que empolgou os primeiros líderes das igrejas reformadas, Zuínglio e Calvino, foi o extraordinário movimento
intelectual que marcou a transição entre a Idade Média e o período moderno. Uma das características marcantes desse
movimento foi o seu profundo interesse pela antigüidade clássica, o período áureo da civilização greco-romana. Entre as
obras clássicas que atraíam a atenção de muitos estava a Bíblia, particularmente o Novo Testamento. Isso levou ao
surgimento de uma categoria específica de humanistas bíblicos devotados ao estudo das Escrituras em seus originais gregos
e hebraicos. O maior desses humanistas cristãos foi o célebre Erasmo de Roterdã (c.1466-1536), cuja edição crítica do
Novo Testamento baseada em textos gregos foi avidamente estudada e utilizada pelos reformadores suíços.
Em 1533, Calvino teve uma experiência de conversão à fé evangélica. Forçado a fugir de Paris por causa das suas novas
convicções, dirigiu-se para a cidade de Angoulême. Pouco depois, começou a escrever a sua obra magna, a Instituição da
Religião Cristã ou Institutas, publicada em Basiléia em 1536. Nesse mesmo ano, de maneira totalmente inesperada, Calvino
viu-se convocado a auxiliar a implantação da fé reformada na cidade de Genebra, na Suíça francesa. Após um interregno de
três anos em Estrasburgo (1538-1541), o reformador retornou a Genebra e ali permaneceu até o final da sua vida.
Graças a sua vasta e competente produção teológica, sua habilidade como organizador e seus contatos pessoais com
inúmeros indivíduos e comunidades em toda a Europa, Calvino exerceu uma poderosa influência e contribuiu para a
disseminação do movimento reformado em muitos países. Em 1559, ele fundou a Academia de Genebra, que colaborou
decisivamente para a formação de toda uma nova geração de líderes reformados. Dada a importância desse reformador, um
novo termo surgiu para designar os reformados: “calvinistas.”
Nas Institutas, comentários bíblicos, sermões, tratados e outros escritos que produziu, Calvino articulou um sistema
completo de teologia cristã que ficou conhecido como calvinismo. Esse sistema incluía normas específicas, retiradas das
Escrituras, acerca da doutrina, do culto e da forma de governo das comunidades reformadas. Na base do sistema estava a
ênfase no conceito da absoluta soberania de Deus como criador, preservador e redentor do mundo. A estrutura eclesiástica
preconizava o governo das comunidades por presbíteros e a associação das igrejas em presbitérios regionais e em sínodos
nacionais.


             A FÉ REFORMADA

•        Autoridade das Sagradas Escrituras - Os reformadores defenderam a autoridade suprema das Escrituras. Para eles a
tradição não tinha a mesma autoridade e valor que a Bíblia. As decisões conciliares ou papais não valiam como as Escrituras.
Todas as doutrinas e crenças tinha de se basear e de se sujeitar completamente à Bíblia.
•        Salvação pela graça - Os reformadores ensinaram que, segundo a Bíblia, a salvação depende exclusivamente da graça
de Deus, mediante a fé em Jesus Cristo. Em outras palavras, não há necessidade de boas obras para a salvação. Isso
significava colocar-se contra o ensino da Igreja Católica Romana, que prescrevia penitências e sacramentos para a salvação.
•        Sacerdócio universal - Os reformadores pregaram também que ninguém precisa de um sacerdote para se relacionar
com Deus. Qualquer pessoa tem acesso a Deus através de Jesus Cristo. Essa doutrina passou a ser conhecida como
"sacerdócio universal de todos os crentes".
•        Livre exame das Escrituras - Os reformadores insistiram para que todos os crentes lessem as Sagradas Escrituras e as
interpretassem contando com a iluminação do Espírito Santo. Essa doutrina ficou conhecida como "livre exame das
Escrituras". Era uma doutrina que contradizia o ensino da Igreja Católica Romana, que dizia que todos tinham de aceitar a
interpretação oficial da Bíblia feita pelas autoridades eclesiásticas.
Outras idéias comuns a todos os reformadores poderiam ser acrescentadas. Convém porém destacar o que caracterizou
especialmente o ensino de João Calvino:
•        Soberania de Deus - Calvino enfatizou a doutrina da soberania de Deus. Isso fez com que Calvino tivesse diante de si,
em todos os momentos, uma grande pergunta: "O que Deus quer de mim, da Igreja e da humanidade?"
•        Forma de Governo - Calvino criou uma forma de governo da Igreja em que a autoridade não depende de uma só
pessoa, mas de um grupo de pessoas formado por presbíteros. Esse grupo é o que se chama Presbitério.
•        Aplicação do ensino bíblico - Calvino preocupou-se em aplicar o ensino bíblico à vida. Foi por isso que a cidade de
Genebra foi profundamente influenciada pela Reforma. A cidade acabou se transformando numa espécie de modelo em que
a mensagem bíblica era aplicada a todas as esferas da realidade.

O PRESBITERIANISMO NA AMÉRICA DO NORTE

Os presbiterianos tiveram atuação destacada na história dos Estados Unidos. O Rev. Francis Mackemie que chegou aos E.U.
A. proveniente da Irlanda em 1683, ajudou a organizar o primeiro presbitério americano na Filadélfia em 1706. Um dos
signatários da Declaração de Independência, o Rev. John Witherspoon, era ministro presbiteriano. O Rev. William Tennent
fundou uma faculdade de teologia em Nova Jersey que se tornou mais tarde a Universidade de Princeton. Outros ministros
presbiterianos, como o Rev. Jonathan Edwards e o Rev. Gilbert Tennent, tornaram-se líderes do famoso movimento
conhecido como Grande Avivamento no início do século XVII.
A igreja presbiteriana nos Estados Unidos se dividiu e por várias vezes foi reunificada. Atualmente a maior igreja
presbiteriana é a Presbyterian Church U.S.A., que tem sua sede na cidade de Louisville, no estado de Kentucky. Essa igreja
foi formada em 1983 como resultado da união da Presbyterian Church of United States (PCUS), também conhecida como
"igreja do Sul", e a United Presbyterian Church of the United States of America, também conhecida como "igreja do Norte".
Outras igrejas presbiterianas nos Estados Unidos atualmente são: a Presbyterian Church of America (PCA – A qual somos
filiados), Cumberland Presbyterian Church e a Associate Reformed Presbyterian Church.
HISTÓRIA DA IGREJA PRESBITERIANA
Rev. Neusmane Elias - Senior Pastor
IGREJA PRESBITERIANA CRISTO REI EM EAST BOSTON